Libertadores 25 anos: A força da torcida em campanha quase perfeita no Caldeirão

sábado, 12/08/2023

Por: Matheus Babo, São Januário

O Site Oficial do Vasco inicia neste sábado (12/8) uma série de reportagens sobre os 25 anos do título da Libertadores de 98. Na primeira delas, falaremos sobre o maior patrimônio do Club, que mesmo sem fazer gol, foi fundamental na campanha daquele título: a torcida. Em São Januário, o desempenho naquela competição foi quase perfeito: em sete jogos, foram seis vitórias e apenas um empate. Foram 12 gols marcados e apenas dois sofridos. O verdadeiro Caldeirão para os adversários.

Quem participou daquela campanha lembra da força do estádio e da torcida. Um dos jogadores mais experientes daquele time, Luisinho Quintanilha conta que o que tem de mais fresco na memória 25 anos depois daquele título são as idas do elenco da concentração até São Januário nos dias de jogo. Segundo o ex-volante, quando o ônibus chegava no Largo da Cancela (uma distância de pouco mais de 1km) ele praticamente era levado pela multidão de vascaínos.

– A principal lembrança que eu tenho de 98 é quando a gente chegava em São Januário. Lá na Cancela, parecia que a gente não ia chegar em São Januário. A rua tava lotada, tomada por torcedores do Vasco e a impressão é de que o ônibus que era carregado até o estádio. Aquilo nos transformava de tal forma, que nós descíamos pro vestiário com a certeza da vitória. Além de todo o trabalho, que era muito bem feito, a qualidade do time, o lado do torcedor foi fundamental nessa conquista – conta Luisinho.

Artilheiro do time na competição, com 7 gols marcados, o atacante Luizão fez cinco deles na Colina Histórica reforça as lembranças de Luisinho, em como era prazeroso chegar no Caldeirão de São Januário sendo praticamente carregado pelos vascaínos:

Perdemos do Grêmio e do Chivas de 1 a 0, empatamos com o América-MEX em 1 a 1. Tinha que ganhar de qualquer jeito os jogos em São Januário. Eu lembro de ter feito dois golaços contra o Grêmio e contra o Chivas e nós classificamos. Nossa torcida também foi fundamental nesse processo. Ela lotava o estádio e era a coisa mais linda do mundo. Eles compraram o barulho. Os jogos da primeira fase se tornaram decisivos e do Largo da Cancela até o portão, parecia que o ônibus era carregado, de tantos torcedores que tinham. Era uma loucura.

A força do time no Caldeirão era tão grande, que algumas peculiaridades daquela época marcaram até jogadores muito experientes já em 98, como o capitão Mauro Galvão, que relembra dos longos foguetórios quando o time entrava em campo até a superlotação de São Januário em dia de jogos da Libertadores:

– A torcida do Vasco é muito exigente. Eles nos cobravam muito para vencer em São Januário. No momento que acertamos, conseguimos bastante apoio. Na volta do México, aquele empate com o América lá foi bom e crescemos na competição. Em casa ganhamos praticamente todos os jogos, sempre com a ideia de fazer São Januário um caldeirão e a torcida nos abraçou. O que o Luisinho falou realmente acontecia. Demorávamos muito da Cancela até o estádio porque a multidão nos levava. Lembro de uma imagem que é bem significativa também. Os jogos ficavam tão cheios que tinha gente até na marquise de São Januário.

Na decisão, a partida de volta acabou sendo em Guaiaquil, no Equador. Na volta, os jogadores sentiram ainda mais a força da torcida do Vasco, só que dessa vez, também longe do Caldeirão. Recepcionados por uma multidão no aeroporto, os campeões da América desfilaram em um carro do Corpo de Bombeiros pela Cidade Maravilhosa.

VASCO EM SÃO JANUÁRIO NA LIBERTADORES 98

Fase de grupos:
26/3/1998 – Vasco 3 x 0 Grêmio – Gols: Luizão (2) e Donizete
3/4/1998 – Vasco 2 x 0 Chivas (MEX) – Gols: Luizão (2)
9/4/1998 – Vasco 1 x 1 América (MEX) – Gol: Richardson

Oitavas de final:
15/4/1998 – Vasco 2 x 1 Cruzeiro – Gols: Luizão e Donizete

Quartas de final:
6/6/1998 – Vasco 1 x 0 Grêmio – Gol: Pedrinho

Semifinal:
16/7/1998 – Vasco 1 x 0 River Plate (ARG) – Gol: Donizete

Final (jogo de ida):
12/8/1998 – Vasco 2 x 0 Barcelona (EQU) – Gols: Donizete e Luizão

Obs.: Algumas entrevistas desta matéria foram realizadas em 2018, quando a conquista completou 20 anos

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