Libertadores 25 anos: Capitão América! A liderança de Mauro Galvão no título

quarta-feira, 23/08/2023

Por: Matheus Babo, São Januário

Em mais uma reportagem especial em homenagem aos 25 anos do título da Libertadores de 1998, o Site Oficial do Vasco vai contar um pouco da história do capitão daquele time: Mauro Galvão. O zagueiro começou a carreira no Internacional e passou por Bangu, Botafogo, Lugano (SUI) e Grêmio antes de chegar em São Januário. Com 36 anos e sob desconfiança, Galvão foi uma aposta da diretoria e do técnico Antônio Lopes e deu muito certo.

Foto: Reprodução/Internet

Apesar de ser o jogador mais velho do elenco, demorou um ano para Mauro Galvão assumir a braçadeira de capitão. Quando chegou, em 97, o dono da faixa era Edmundo. Ídolo da torcida e craque do time na conquista do Brasileirão daquele ano, o Animal deixou o Vasco após o tri nacional e Antônio Lopes não teve dúvida em escolher o seu representante dentro de campo: Mauro Galvão.

– O Mauro era um cara muito sério, experiente, que trabalhava forte. Ele era um exemplo para os jogadores mais jovens daquele elenco, como Felipe, Pedrinho, Vagner e Luizão. E o Odvan ganhou muita confiança jogando ao lado dele. Foi uma defesa que se encaixou rápido e se entendeu muito bem – disse o Delegado, em conversa com o Site Oficial.

Em papo com o Site Oficial, Mauro Galvão ressalta que o mais importante naquela conquista foi a manutenção do elenco que venceu o Brasileirão no ano anterior. As únicas mudanças foram no ataque, já que saíram Edmundo e Evair, mas chegaram Donizete e Luizão. Outros nomes, como o lateral-direito Vitor e o meia Vágner chegaram ao clube e foram importantes.

– Lembro que nossa base era o time campeão de 97, então aconteceram poucas mudanças. Só no ataque. Mas o Donizete e o Luizão chegaram muito bem, com outra característica e encaixaram muito bem. Isso foi fundamental. Pouca mudança, o Lopes não precisou mexer muito no time. O time era acostumado com jogos grandes, não sentia.

DUPLA HISTÓRICA NA DEFESA

Quem imaginava que, quando contratados, Mauro Galvão e Odvan ser tornariam uma das duplas de zaga mais vitoriosas da história do Vasco, provavelmente seria considerado muito otimista. Enquanto o primeiro chegava ao clube na reta final da carreira, o outro era uma aposta contratado junto ao Americano, de Campos. Enquanto Galvão se destacava pela técnica e leitura de jogo, Odvan fazia diferença na força e no vigor físico. Os dois se completavam em campo, como bem definiu o Capitão América:

– São situações que acontecem dentro do futebol. O Odvan tem uma característica bem definida. Muito forte e bom na bola aérea. Tinha uma recuperação muito boa. Vivia o auge da forma física, tinha 23 anos. Ele soube chegar e não sentiu a mudança. Sempre ouviu a gente, sempre soube entender o que a gente pedia. E foi um cara com atitude positiva, que é importante dentro do futebol. Fez por merecer essa história e fizemos uma dupla vencedora. Ficou marcado. Todo lugar que vou, falam dessa dupla. A torcida do Vasco sempre me lembra.

ADMINISTRAÇÃO DOS PROBLEMAS JUNTO COM LOPES

Capitão do time, Mauro Galvão exercia a função muito além das quatro linhas. Em dois casos especiais, foi ele quem dialogou com o técnico Antônio Lopes e chamou a responsabilidade para defender os companheiros Donizete e Valber, que tiveram problemas com o treinador, mas acabaram sendo fundamentais em momentos importantes da competição.

– Pouca gente se lembra, mas começamos mal na competição. Perdemos para Grêmio e Chivas, empatamos com o América e voltamos muito pressionados para os três jogos no Rio de Janeiro. Donizete e o Luizão estavam se adaptando ao estilo do Lopes, que pedia para eles voltarem e marcar. Eles estavam mais agitados, não tinham marcado nos primeiros jogos. O Donizete demorou mais a aceitar, mas quando embalamos duas vitórias e garantimos a classificação, eles passaram a entender que aquilo que o Lopes pedia era importante.

VALBER: RELACIONADO, AJUDOU A SEGURAR O CRUZEIRO

Nas oitavas de final, veio logo uma pedreira naquela Libertadores. O Cruzmaltino ia encarar o Cruzeiro, então atual campeão da competição. Uma semana antes do primeiro jogo, quatro titulares saíram machucados da vitória por 3 a 0 sobre o Friburguense, em Nova Friburgo. Eis a lista: Luisinho, com afundamento no crânio; Juninho, torção no tornozelo; Ramon, lesão no joelho; e Luizão, com oito pontos na boca após uma cotovelada. Os três primeiros ficaram fora contra a Raposa.

Em São Januário, com Luizão, o Gigante venceu por 2 a 1, gols de Luizão e Donizete. Para o jogo de volta, mesmo com muitos desfalques, Lopes não queria levar Valber entre os relacionados. O jogador havia faltado um treino na semana e irritou o treinador. O então supervisor Isaías Tinoco conversou com o “Delegado” e ajudou no convencimento junto com Mauro Galvão.

 

– O Valber era um jogador que quando entrava em campo resolvia. O grupo era muito bom, mas não era perfeito. O Lopes cobrava disciplina, tentava resolver os problemas, mas muitas vezes a gente entrava no circuito para contornar. Isso é normal, treinador precisa ser exigente. Eu, como líder, chamava essa responsabilidade junto com o Germano, o Luisinho, e nos responsabilizávamos. O Valber nos ajudou muito naqueles dois jogos – conta o Capitão América.

Valber viajou e jogou no meio-campo ao lado de Nasa, Juninho Pernambucano e Vágner. A zaga, formada por Alex Pinho e Mauro Galvão também foi fundamental para o Vasco segurar o 0 a 0 e garantir a vaga nas quartas de final.

CARINHO DO TORCEDOR

– Onde eu passo eu recebo o carinho do torcedor do Vasco. Pode ser no Rio de Janeiro, pelo Brasil, sempre sou bem tratado e me faz pensar que valeu a pena todo o sacrifício. A torcida do Vasco é fantástica. Foram anos maravilhosos – disse.

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