Em 19/05/2020 às 16h21


Atirou, entrou! Garotinho escolhe gol marcante e lembra perrengue na Mercosul

Por: Matheus Babo

São Januário, Rio de Janeiro

"Jo-sé Carlos Araújo! Sou eu!" É assim que o nome de um dos narradores mais conhecidos do rádio carioca e brasileiro é anunciado até hoje antes e durante as transmissões. A voz de Garotinho é marcante para os torcedores carioca e em entrevista ao Site Oficial do Vasco, o autor do "Atirou, entrou!" lembrou momentos históricos do clube que contou pelas ondas do rádio desde 1964 pelas emissoras Globo, Nacional, Bradesco Esportes FM, BandNews FM, Transamérica, Super Rádio Tupi e em programas pela TV na TVE, CNT, Band e SBT.

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Garotinho em uma das cabines de São Januário (Foto: Arquivo Pessoal)

No bate-papo, Garotinho escolheu o gol mais marcante e o que a torcida mais lembra quando o encontra na rua, falou sobre o maior perrengue que passou durante uma transmissão de jogo do Cruzmaltino, do reconhecimento da galera e do melhor time do Vasco que acompanhou.

- O gol marcante que narrei do Vasco da Gama foi sem dúvida o do título do bicampeonato brasileiro. Aquele gol do Sorato, de cabeça, no Morumbi. A galera vibrou. Cruzamento do Luís Carlos Winck. Os vascaínos lembram muito daquela narração - recorda o Garotinho, antes de citar a Virada Histórica da Mercosul em 2000, quando sofreu com a torcida do Palmeiras:



- O jogo marcante do Vasco que narrei com certeza foi a final da Mercosul. O Vasco foi para o intervalo perdendo para o Palmeiras por 3 a 0 e virou no segundo tempo pra 4 a 3. O Romário estava com a "cachorra", fez três gols e o Juninho Paulista fez um. Joel Santana era o treinador. Aquela galera da social do Palmeiras, no antigo Palestra Itália, queria pegar no nosso pé. Eu me lembro que narrei o quarto gol agachadinho na bancada. Não havia cabine. Atrás exatamente das cadeiras sociais da torcida do Palmeiras. Foi o maior perrengue.

Uma das marcas registradas da narração de Garotinho é mandar um abraço para torcedores ilustres do "Machão da Gama", como Roberto Carlos, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Chico Anysio, Chacrinha... José Carlos Araújo conta que a ideia surgiu por conta dos encontros com os artistas nos corredores e estúdios da Rádio Globo, quando eles participavam de outros programas da emissora.



- A gente sempre conviveu com cantores e atores principalmente na Rádio Globo, quando eles frequentavam os programas dos comunicadores. E eles me falavam os times e nisso os relacionava. Chico Anysio e Chacrinha foram dois vascaínos que eu sempre citei nas transmissões - conta.

BATE-BOLA
José Carlos Araújo, narrador

1. Qual foi o melhor time do Vasco que você narrou?
O time mais marcante do Vasco que acompanhei foi exatamente em uma fase que me desliguei da Rádio Globo e fui para Rádio Nacional em 1977. Eu me lembro bem daquela zaga, era chamada de "Barreira do Inferno". Tinha Orlando Lelé, Abel Braga, Geraldo e Marco Antônio. O técnico era o titio Fantoni. Esse time ganhava de todo mundo na marra e aí eu comecei a chamar de Machão da Gama exatamente pela maneira como jogava.

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Garotinho recebendo o prêmio O Repórter do vascaíno Chacrinha (Foto retirada do livro Paixão pelo Rádio, de Rodrigo Taves - Maquinária Editora)

2. Você trabalhou durante muitos anos com um vascaíno doente que é o Aureo Ameno...
O Aureo Ameno é um dos maiores talentos que conheço na imprensa esportiva. Ele na televisão fazia um tipo muito interessante nessa condição. Era gravata com o escudo do Vasco. Era um anel grandão com escudo do Vasco. O Aureo é uma figuraça e até hoje está brilhando no Bola em Jogo, com o Gilson Ricardo. 

3. Como é ser uma das vozes mais conhecidas do país e ter esse reconhecimento nas ruas?
Ter a voz conhecida no futebol e ser reconhecido pela galera é fruto principalmente da companhia que faço há 56 anos. A primeira transmissão que participei foi em 1954. Então isso é natural. 

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