Vasco faz homenagem a Moise, congolês morto no Rio

domingo, 20/02/2022

Com a presença da representantes de Moïse, Vasco lança manifesto em defesa de imigrantes e refugiados

O Vasco recebeu, neste domingo, em São Januário, representantes do congolês Moïse Kabagambe, brutalmente assassinado no fim de janeiro, no Rio de Janeiro para uma homenagem. Em parceria com a Secretaria Especial da Cidadania (SECID) e a Prefeitura do Rio, a Vice-Presidência de História e Responsabilidade Social do clube promoveu um amistoso entre uma seleção de refugiados e uma seleção de brasileiros. Os dois times entraram em campo com faixas e nas camisas a hashtag #JustiçaPorMoise.

Foto: Divulgação/Vasco

Familiares de Moïse estiveram representados na sede do clube e receberam um kit do club: Fernando Mupapa presidente da comunidade da República Democrática do Congo no Brasil e Yanick Mbau, Vice-Presidente da PDMIG no Rio fizeram ainda o Tour da Colina onde conheceram toda a história do clube e sua luta histórica contra o racismo e o preconceito.

O amistoso busca dar visibilidade a Copa dos Refugiados e Imigrantes, que terá início no dia 4 de agosto. Este evento tem chancela das agências da ONU e reúne refugiados e imigrantes incentivando seu protagonismo em oficinas e torneios de futebol. Os participantes representam inicialmente seus países de origem e posteriormente o Estado e/ou país de acolhimento.
O clube aproveitou para lançar um manifesto em defesa dos imigrantes e refugiados.

Leia na Íntegra:
“MANIFESTO EM DEFESA DOS IMIGRANTES E REFUGIADOS

As migrações são tão antigas quanto a humanidade. Desde os primórdios, pessoas se
movimentam entre regiões, países e continentes, com diferentes motivações, ambições e dores particulares, buscando vidas melhores, estabilidade ou, tão simplesmente, resguardar suas vidas e a dos seus familiares.

As migrações sempre contribuíram para o avanço da humanidade. O enriquecimento cultural e a economia são diretamente beneficiados pelas movimentações populacionais, e o Club de Regatas Vasco da Gama é testemunha de tal realidade

Criado em 1898, o Vasco era tido como um clube de colônia – com orgulho. Portugueses
radicados no Rio de Janeiro, orgulhosos de suas tradições, fundaram um clube que refletia
sua própria identidade: profundamente portugueses e não menos brasileiros. O Vasco é um clube que reflete as migrações e o sonho por uma vida melhor.

Os fundadores do Vasco da Gama não tiveram vida fácil. Taxados de estrangeiros pelas elites
da época, como o diferente a ser afastado, o Vasco não recuou e trouxe para si outra bandeira histórica: a da luta contra o racismo. O clube pioneiro na inclusão de negros e trabalhadores em competições futebolísticas de alto nível no Rio de Janeiro já conhecia os caminhos da luta contra o preconceito. Luta-se contra o racismo com iniciativas de inclusão. É a mesma fórmula do combate à xenofobia, em favor de migrantes e refugiados de todo o mundo.

O Vasco da Gama se solidariza com todas as vítimas de racismo e xenofobia, e se insurge
contra esses crimes. Casos como os de Moïse Kabagambe calam fundo na alma dos vascaínos e são ilustrativos das condições enfrentadas por pessoas que desejam oportunidades de vidas melhores e mais seguras.

Se o esporte é um espaço de mudança da sociedade, o combate ao racismo e à xenofobia
devem estar entre as prioridades de um clube que se orgulha de seu histórico de responsabilidades diante do mundo que o cerca. O Vasco da Gama convida a todos para uma reflexão e para que juntos possamos erradicar essas mazelas que envergonham nosso país.

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2022.