Zé Ricardo quer Vasco defensivamente equilibrado e que não abra mão de atacar

terça-feira, 25/01/2022

Por: Breno Prata, São Januário

O técnico Zé Ricardo concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (25/01), no CT Moacyr Barbosa. O treinador vascaíno revelou suas expectativas para a estreia no Campeonato Carioca diante do Volta Redonda, nesta quarta-feira (26), às 19h, no Estádio Raulino de Oliveira e elogiou o trabalho que vem sendo feito na equipe aurinegra.

Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

– A gente sabe que o Carioca tem essa característica das equipes que têm tempo maior de preparação. Nesse momento, eles têm uma oportunidade de tentar surpreender, de pontuar para buscar classificação pra Série D, Série C do Brasileiro. Volta Redonda vem mostrando bom trabalho, próprio Vasco se aproveitou disso, alguns jogadores vieram jogar no nosso clube. A gente entende que o trabalho deles vem dando certo há um tempo. Jogadores que vêm se destacando, Marrony vem de lá, Alef Manga vem de lá. É um trabalho bem consolidado. Sabemos que vamos ter um jogo difícil, mas estou muito confiante de que vamos fazer uma boa apresentação. Vamos buscar o ritmo de jogo, espero que a gente possa colocar em campo o que a gente tem de melhor – destacou o técnico.

No último sábado (22), cinco atletas que se destacaram na Copa São Paulo de Futebol Júnior integraram o elenco profissional. Zé Ricardo citou a ajuda dos Meninos da Colina nos treinamentos e revelou que pretende ter um ataque de movimentação, que tente confundir o adversário.

Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

– Alguns meninos da Copinha ajudaram a gente, então é um trabalho dia após dia, não pode perder tempo obviamente. Estamos tentando aproveitar tudo, intervalo dos jogos, o tempo de recuperação é pequeno. Queremos um ataque de movimentação, que tente confundir o adversário, jogadores que têm recurso técnico. Porque muitas das situações que acontecem não tem como treinar, por isso o jogador com personalidade, com confiança faz a diferença – avaliou o comandante.

Durante a entrevista, Zé Ricardo reconheceu o atual momento do Clube e disse que é preciso trabalhar com os pés no chão nesse momento de reconstrução. O comandante disse que o Vasco tem muita tradição no Campeonato Carioca e destacou que o Cruzmaltino não vai desrespeitar ninguém, mas que vai jogar com o peso de sua camisa.

Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

– Por mais que a gente não queira reconhecer, esse é o retrato atual. Precisamos saber onde estamos, uma reconstrução. Não podemos esquecer em momento algum quem somos. O Vasco tem muita tradição no Carioca. Em 2018 o Vasco também não tinha uma equipe que esperavam chegar na final, mas chegamos. Ser ou não ser o patinho feio, não é que incomode, mas tem que servir como combustível. De forma nenhuma o Vasco vai desrespeitar alguém, mas vamos jogar com a camisa pesada. Essa é a força que uma equipe centenária tem – disse o treinador.

Antes de finalizar a entrevista coletiva, o comandante vascaíno avaliou esse início de trabalho e pediu para que a equipe tenha equilíbrio na hora de defender e em momento algum abra mão de atacar. Questionado sobre a possível chegada de outros reforços, Zé Ricardo revelou que espera um jogador para o sistema defensivo e um ou dois jogadores do meio para a frente.

– Ainda espero um jogador para o sistema defensivo e um ou dois jogadores do meio para a frente. Sobre a questão do ataque, tenho conversado muito com nosso grupo que a gente tenha muito equilíbrio na hora de defender e em momento algum abra mão de atacar. Isso depende de treinamento, sincronismo, volume de trabalho, isso a gente ainda sente falta. Pré-temporada foi um pouco debilitada por causa número de jogadores com Covid – disse Zé Ricardo.

Confira outros trechos da coletiva: 

Capitão

– É muito claro, Nenê é um líder na nossa equipe. Temos o Anderson Conceição, que também tem todas as características de ser um grande líder. Acho que eles vão se revezar. Mas amanhã vai ser o Nenê. Quero que todos se cobrem, todos participem. Isso que vai nos ajudar a tirar esse tempo pequeno de participação.

Perda do Vitinho por lesão

– Paciência é uma palavra que a gente sabe que precisa no futebol, mas que existe pouco. Parte desse princípio que da equipe que terminou a temporada passada temos só o Nenê. O Vitor é um jogador que tem essas características que falamos, muito bem formado no Corinthians. Joga em uma, duas, três posições. É uma pena que ele não possa estar com a gente na estreia. Se ele mostrar em campo o que vem mostrando no treino vai nos ajudar muito. Ainda bem que chegou o Bruno Nazário, temos que dar moral para esses meninos.

– Se não começarem jogando, eles serão as opções para jogar. A gente precisa que eles assumam a responsabilidade. Só com amadurecimento que eles vão entender como ajudar. A gente sabe que precisa dar resultado imediato. Talvez esse seja nosso primeiro objetivo: dar uma resposta. Por isso que eu torço para que a química entre eles aconteça de uma maneira um pouco mais instantânea.

Ulisses e Juninho

– Ulisses é um jogador que já conhecia, naquele momento na primeira passagem entendi que ele logo ia aparecer, por aquilo que ele já havia mostrado no sub-20. Se passaram três anos e ele ainda está nesse processo. Falei que chegou a hora dele, que precisava demonstrar em campo. E vai depender dele. A idade pouco importa, se é novo, velho. Ele é um jogador que fala pouco, mas como zagueiro eu quero estimular ele a falar, quero ouvir um bom dia mais forte, mais confiante.

– E o Junior também pegou o trauma do ano passado, fez alguns jogos, mas não completando praticamente nenhum. Aconteceram tantos movimentos na pré-temporada, ele acabou tendo oportunidade de treinar e mostrar. Tivemos um papo com ele e a psicologia para saber o que ele via no jogo, e as respostas dele foram muito claras. E tudo bateu dentro daquilo que a gente quer dele. Temos até que dar uma segurada na ansiedade dele, que pode atrapalhar. E vamos dar confiança a ele. Tenho certeza que se ele se mantiver assim, vai ser um jogador explosivo, com potencial de chegar na área. Tomara que ele consiga produzir e mostrar o potencial que ele tem.

Série B

– A Série B é um campeonato de regularidade. Equipes que conseguem acesso são as que mantêm regularidade. Tem que começar bem a competição, é normal, o Vasco ainda busca encorpar o elenco. Não pode sair contratando sem critério e depois sofrer lá na frente. Hoje a gente ainda precisa de três, quatro reforços. Para o Brasileiro, mais uma ou duas contratações que venham nos ajudar. O que a gente não conseguiu fazer agora é porque as dificuldades são grandes. Na teoria, tudo se coloca. A prática que vai dizer para a gente se estamos 100% no caminho certo.

Time com identidade

– Acho que toda equipe que consegue representar bem a ideia do seu treinador consegue ter sucesso. A minha história de vida, como profissional de categoria de base é de muita luta. Vejo que o momento do Vasco requer isso, falo com a emoção que precisa ter em quem está no comando do Vasco. É uma baita responsabilidade, mas também um orgulho muito grande. Quero muito que dê certo. Quando tivemos a primeira conversa, entendemos que essa é uma fórmula que pode resgatar nossa identidade, o carinho e a paixão do torcedor.

– Dessa forma, a gente espera que o torcedor venha aos poucos e torça. Certeza que nem todos atletas que a gente fez contato estão aqui, sem dúvida. Mas os que estão aqui foram escolhidos com muito critério. Que a confiança que estou dando para eles, eles consigam botar para fora. Acho que a gente tem uma montanha, que é o ano de 2022. Mas antes disso, tem a arrebentação, que é o Carioca. Temos que passar por isso, nos estabelecer, nos sentir um grupo.

Vanderlei

– Eu via o Vanderlei chegando 11h da manhã, almoçando e indo para campo treinar. Muitas vezes um calor, a comissão pedia treino indoor, e ele pedia para treinar em campo. Um atleta com histórico vencedor, pai de família, respeitador. Todas as vezes que joguei contra o Santos, ele sempre me cumprimentou. Fora isso, as pessoas aqui de dentro falam que é um puta cara, íntegro. E certamente uma pessoa que vai ajudar os jovens. Logicamente com anuência de todos, conseguimos reverter essa situação.

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